quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Colega, onde está o meu voto?

Este poderia ser o título da última comédia espanhola, baseada em fatos reais. O argumento é singelamente delirante. Logo duma decepcionante jornada eleitoral para um dos poucos partidos de esquerda que existe no Estado Espanhol, observam-se coisas estranhas; como o êxito de candidaturas esquisitas onde tradicionalmente há uma importante presença da esquerda independentista basca ou catalã, o alto número do voto nulo quando não houve qualquer estratégia significativa que chamasse por esta opção ou as diferenças entre as atas do escrutínio e os dados do Ministério de Interior. A suspeita é já quase uma evidência quando há pessoas que elegeram a papeleta de II-SP e não computaram nenhum voto desta candidatura na sua mesa eleitoral. A pergunta é imediata: “colega, onde é que está o meu voto”?
Inicialmente, todo parece dever-se a um erro na transposição dos dados por uma diferente ordem destes nas mesas e na listagem do Ministério. Para além disso, é complexo manipular uns comícios pela singela razão de que se pode controlar a contabilização e o reconto nas juntas provinciais. Mas isto é apenas no plano do direito formal, já que nas últimas horas o representante de II-SP em Barcelona foi expulso pela polícia regional do recinto onde se está a realizar reconto do voto das pessoas ausentes, impossibilitando supervisar a limpeza do processo. Em Castela, impede-se os membros desta candidatura revisar o duvidoso voto nulo. Em Astúrias não se permite o acesso aos recontos... E apenas em Euskadi, já recuperaram mais dum milheiro de votos que singelamente desapareceram ou foram imputadas a outras candidaturas. Nos Países Catalães e em Castela, calcula-se uma fraude brutal.
Ainda há mais! Os protestos da candidatura de II-SP revelaram que não só esta formação obteve uns resultados questionáveis. Outras formações também foram vítimas do biscate. Lamentavelmente, as denúncias e os recursos que se porão nesta semana não constituirão um escândalo porque estes fatos singelamente não existirão para a maioria da população do estado. Não são questões relevantes para uns médios de comunicação que consideram II-SP, a marca de ETA. E contra o terrorismo vale tudo.
Assim que desfrutem da vida. Como se estivermos em democracia.

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