domingo, 6 de Julho de 2008

17/05/09: nada a celebrar

O dia das letras galegas há tempo que não me diz nada. Há uns anos, uns companheiros e mais eu fizéramos um cartaz que dizia “Um dia de glória, 364 de opressão”. Foi muito polémico lá na UdC, mas é que se trata apenas disso.
O caso é que se celebra cada ano e que, em todas as suas edições, é uma instituição cavernária como a RAG a encarregada de pôr um rosto à convocatória. E se havia gente que não gostava da proposta de Carvalho Calero como homenageado (eu próprio, um pouco... confesso-o), estaria bem saber o que opinam hoje quando se sabe que o próximo 17 de Maio será uma festa para a maior glória de Ramón Piñeiro. Bravo.
Suponho que ninguém ignora o que significa a figura de Ramón Piñeiro. Para além do seu trabaho editorial, contributo essencial para o desenvolvimento das letras subordinadas, este senhor foi responsável da liquidação do velho Partido Galeguista. E não só isso. Durante o franquismo, seguiu a máxima de Calvo Sotelo, mas à inversa: antes uma Galiza espanhola, do que vermelha. De facto, esta miniatura de Maquiavel, conspirou mais contra as opções comunistas do que contra o próprio Franco. Uma vez morto este, a sua seita Realidade Galega, não só aderiu o processo de farsa estatutária, senão que renunciou à conformação duma “direita regional” ao modo catalão ou basco. Em definitiva, Piñeiro simboliza a renúncia dos galegos a um processo político próprio e a adesão general a uma “resolução mágica” das relações Galiza-Espanha.
Significativo é também o seu contributo à criação do PsdG-PSOE mediante o método da cooptação que pusera de moda na altura o consórcio Flick e a Fundação Fiedrich Ebert. Um partido que tem o duvidoso mérito de ter levado à presidência da Xunta um indivíduo que não é quem de dizer correctamente uma só frase em galego. Um partido a cujas listas pertenceu fazendo gala da sua independência que, com certeza, muitos destacarão em 2009.
E todo para quê? Para cumprirem essa máxima pinheirista segundo qual era melhor acordar o galeguismo nas diferentes expressões partidárias (espanholas, engado), a que o galeguismo constituisse uma opção política independente. O qual, dado significativo, converte Ramón Piñeiro no pai intelectual da “Galicia” que actualmente padecemos.
Nunca ficaremos suficientemente obrigados. Aplaudam-lhe todos os galeguinhos subaternos

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